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Escrevinhador barato, compositor, leitor voraz, cozinheiro, músico e bancário nas horas vagas

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Inside Job


Às vésperas de mais uma tormenta advinda dos jênios (valeu, PHA!) do mercado financeiro global, com a derrocada dos mercados europeus -  naquilo que parece o segundo tempo de uma interminável partida entre a seleção do Mano Teixeira e a laranja mecânica de Kruyff  - e com a possibilidade de os mais pobres (sempre eles!), tais como desempregados, veteranos de guerra, entre outros, pagarem a conta nos Estados Unidos e o mundo inteiro adentrar na segunda concavidade do W previsto por Nouriel  Roubini, assisti a um filme FUNDAMENTAL para que se entenda de maneira bem didática o que aconteceu com o mundo nos últimos 30 anos e fez com que desembarcássemos nesta crise que nos afetou a todos - o Brasil em menor escala, graças às políticas de crédito e investimento adotadas na segunda metade do segundo mandato de Lula da Silva, mas mesmo por aqui sentimos os efeitos da recessão que devastou o mundo após setembro de 2008: trata-se do documentário, vencedor do Oscar deste 2011, chamado TRABALHO INTERNO (Inside Job), cujo sítio é 


Muito de falou do assunto e eu aqui choveria no molhado. Apenas digo que é SENSACIONAL e merece sua atenção. 

Abaixo segue artigo escrito pelo Mino Carta, em editorial da revista Carta Capital por ocasião do lançamento do filme no Brasil.

Beijos e Abraços

A febre do ouro


É a própria grana, objetivo único de um mundo que premia ladrões e impostores. Por Mino Carta. Imagem: Divulgação
Todo cidadão deveria assistir ao documentário Trabalho Interno que acaba de receber o Oscar da sua categoria, para espanto de quem, como o acima assinado, costuma desconfiar das escolhas da Academia de Hollywood. Trata-se de uma aula de cidadania, justamente. Assisti, e saí do cinema acabrunhado e indignado. Também como jornalista.
O filme conta a história da crise financeira mundial desde a sua origem até o desfecho e figura entre os motivos de Carta-Capital na escolha do tema do Especial desta semana. Não entro em pormenores porque mais adiante Trabalho Interno é largamente apresentado e analisado. Digo apenas que narra com precisão implacável e visão abrangente a monstruosa tragédia contemporânea que todos vivemos, muitos sem nos darmos conta.
Pela parte que toca ao jornalista, recebi uma aula de técnica e ética, e constatei com meus botões como um diretor de cinema logrou ser infinitamente mais eficaz do que qualquer profissional midiático. Uma lição impecável de verdade factual, aquela incontestável. E o resultado final é a parábola do funcionamento deste nosso mundo desigual e moralmente corrupto por sobre a impotência da maioria ignara.
Aposentados os princípios mais nobres e as regras mais comezinhas da competição leal, a acumulação passou definitivamente a ser o objetivo dos mais fortes. Acumulação de dinheiro em primeiro lugar. Nominor quoniam leo, diz o leão, mas é o rei da selva e da pradaria. Nunca a lei da mata valeu para o bicho homem com força tamanha e nunca como hoje o chamado vil metal foi tão decisivo para o destino da Terra e de cada ser humano.
O dinheiro, e a febre que provoca, está por trás de tudo, desde os mercados até os parlamentos, desde as galerias de arte até os gramados de futebol. Vale, o ducado, o sestércio, o florim, para manipular a trajetória de uma ação da Bolsa ou valorizar o artista que não merece, em detrimento da qualidade de quanto os donos do poder declamam promover. E os heróis do momento chamam-se Bernanke, Summers, Greenspan, Paulson, monumentais executores do neoliberalismo. Seguidos por uma plêiade de excelentes discípulos.
Vale acrescentar outros. Por exemplo, Ronald Reagan, a senhora Thatcher, Bill Clinton, a família Bush. E por que não Tony Blair e Silvio Berlusconi? Tentado pela iconoclastia, chego até o papa, que esconde enquanto pode os padres pedófilos e abriga dentro dos muros vaticanos o IOR, o banco que lava grana mafiosa. É por causa disso também que escasseiam pensadores, poetas e artistas, a bem da glória tilintante de uma chusma de impostores. Não teriam de ser indispensáveis óculos especiais para enxergar a decadência do mundo. Razões há, só encontram resposta, contudo, na versão atual da lei da selva.
A única nota positiva, o único sinal de esperança, vem da nação árabe, expandida entre o Magreb e o Oriente Médio. Em nome de interesses movidos a grana, o Ocidente insistiu na tese do conflito entre islamismo e cristianismo já em andamento, enquanto os EUA esmeravam-se na peculiar retórica pela qual seu exército estaria a serviço da democracia, a ser finalmente ensinada aos conquistados.
A hipocrisia não tem limites. Em compensação, os povos que se levantam no Norte da África não se envolvem em guerras de religião, querem é livrar-se dos seus tiranos, sátrapas, de fato, da formidável estrutura ocidental e cristã, situada a Oeste, certamente, e nem de leve cristã. O destino da rebelião é incerto, verifica-se de todo modo que ainda há homens sequiosos de liberdade. Este enredo evoca outro, a meu ver, aquele tecido por quem entende que o tempo das ideologias acabou, como se fosse possível eliminar da mente humana a eterna dicotomia: deus e diabo, luz e sombra.
Os adeptos da ideia pensavam exclusivamente no marxismo-leninismo, mas já manifestavam ao expô-la, incauta e toscamente, a sua própria ideologia, pela qual, com a queda do Muro de Berlim, celebrava-se o enterro da esquerda. De certa esquerda, talvez. De uma específica visão do mundo e da vida, vencida ao provar seu fracasso e seu anacronismo. De minha parte, fico com Norberto Bobbio. O significado das palavras está sempre sujeito à interpretação, necessariamente volúvel. Quem ainda se indigna, porém, com a desigualdade, com a miséria da maioria, com a prepotência do mais forte, e se empenha contra a injustiça, chamem-no como quiserem, mas ele é o exato contrário do partidário do deixa como está porque assim me convém. Se disserem que aquele é de esquerda, não me queixarei.

domingo, 17 de julho de 2011

Considerações sobre a Copa América 2

Analisando a vitória do Paraguai hoje, podemos tecer alguns comentários:

  1. Podemos entender como uma prova de existe alguma justiça no mundo, mesmo pequena, após o que fizemos com os guaranis na Guerra do Paraguai;
  2. Temos uma ínfima chance, com algumas pressões, pequenas, é verdade, na internet, de derrubarmos o Ricardo Teixeira, uma vez que, dados os casos de corrupção explícita não se toma nenhuma atitude, com uma derrota fragorosa dessas, alguns grupos passarão a exigir a demissão não só do boi de piranha que é o Mano Menezes - que é um treinador de time de pelada do aterro e nunca fez nada de relevante pelo futebol - como do dono do futebol brasileiro. após a entrevista à Piauí e as reportagens da TV Record sobre o assunto, não podemos deixar que este assunto tão caro ao brasileiro caia por terra. Como disse o Edmundo na Band, a seleção é do povo brasileiro. 
É verdade que, às vezes, precisamos de uma situação, como disse o blog www.canchallena.com de uma situação insólita como esta para tomarmos atitudes na vida. 

Então, vamos brigar pela queda destes dois senhores e mobilizar uma grande campanha pela queda do Teixeira e pela CPI da Seleção do Galvão

sábado, 16 de julho de 2011

Considerações sobre a Copa América

Enquanto 192 milhões de uruguaios celebram a derrota da Argentina desde Colonia del Sacramento até o Oiapoque, cabem, aqui, algumas considerações: Doa a quem doer, é lindo ver a forma como os argentinos exaltam seu espírito nacionalista, o orgulho de ser argentino. Ignoram o fato de o ufanismo estar fora de moda assim como a tartaruga que não sabia que podia vencer o coelho e, justamente por isso, o venceu. Vejam abaixo comercial da Quilmes falando da paixão argentina:

Um pouquinho de Poesia

Amores, em ano de Oswald na FLIP, vai abaixo, um pouquinho de Álvaro Assis para o seu deleite.


Antropofágico

Fiz meu itinerário de acrobata
Laçado aos meus rogos de menino
Imune a substâncias urticantes
E soros envenenados de sentimentos
Lavei-me como um duque retornado de batalha
E ao desvanecer da tarde…
Esgueirado pela medula, a porta de entrada
Ingressei no agora satisfeito de mim
Confundido em plasma e hemoglobina
Empuxado pelo fluxo sanguíneo
Arrastado organismo adentro
Eu vi passar desilusões vencidas
Em meio a placas de gordura
E alarmes de infecções
Eu afastava a cegueira vermelha
Liquefeito, em braçadas de seguir destino
Mas é difícil explicar toda beleza
Quando a aorta deságua no coração…
… tudo é púrpura flor explodida. 

Chi-chi-chi lê-lê-lê

Conto mesmo: estou em casa, fumando um cigarro e vendo o programa da Angélica. E não é que me trouxe lembranças muito boas:

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Além da página 5

Bissexto como sou, chego agora a estas plagas pós modernas para deixar algums de minhas impressões. São, invariavelmente, controversas e despidas de qualquer sentido que não seja tornar públicos alguns comentários, causos, idéias e o que vier.. Servem apenas como mecanismos de escape para evitar que caminhe alguns passos à esquerda e busque amparo en las botellas que brilham como vagalumes ou potes dourados ao fim daquele arco-íris que teimamos em querer que lá esteja. Ou, quem sabe de me perder nestas vias tão confusas e de infomação descontrolada que é a Web 2.0. Talvez funcione como um diário, talvez como panfleto. Certamente será uma vitrine para engrandecer alguns bons nomes; e destilar um pouco de veneno também, afinal, ninguém é de ferro. Enfim, da mesma forma que dou a cara a tapa no privado, cá estou para tanto nesta nova dimensão. Beijos e boa noite.